Mineração e risco climático: pesquisa aponta desafios de adaptação nos territórios

Levantamento com 329 participantes ligados ao setor mineral indica que a preparação das comunidades para eventos climáticos extremos ainda é percebida como limitada e amplia a discussão sobre resiliência territorial, continuidade operacional e planejamento de longo prazo.

A adaptação às mudanças climáticas começa a ocupar um espaço maior nas discussões sobre mineração no Brasil, especialmente quando a análise ultrapassa os limites das instalações das empresas e considera as condições dos municípios e comunidades onde as operações estão localizadas.

Pesquisa realizada pelo Instituto Mondó em parceria com o Movimento União BR ouviu 329 stakeholders ligados ao setor mineral e identificou uma percepção de baixa preparação dos territórios para enfrentar eventos climáticos extremos.

Entre os participantes, 7% avaliaram que as comunidades no entorno das operações estão preparadas para esses eventos. Para 58%, a preparação é insuficiente, enquanto 34% a classificaram como parcial.

Os resultados não representam uma medição direta da capacidade de resposta de todas as comunidades mineradoras do país. Eles refletem a percepção dos participantes consultados, a partir de dados coletados durante a Exposibram 2025, e ajudam a identificar temas considerados prioritários para o planejamento do setor.

Eventos extremos ampliam atenção à adaptação

O debate ocorre em um contexto de maior exposição do Brasil a diferentes tipos de eventos meteorológicos e climáticos.

Dados citados pela pesquisa mostram que desastres climáticos atingiram mais de 336 mil pessoas no Brasil em 2025, com perdas econômicas estimadas em R$ 3,9 bilhões, segundo informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Para a mineração, essa discussão apresenta características específicas.

As operações estão frequentemente associadas a territórios nos quais infraestrutura, disponibilidade hídrica, transporte, comunidades locais e serviços públicos possuem relação direta com a continuidade das atividades.

Por isso, eventos como chuvas intensas, secas, ondas de calor ou incêndios podem produzir efeitos que vão além dos ativos próprios de uma companhia.

Uma estrada interrompida, uma restrição hídrica ou uma emergência que afete municípios próximos, por exemplo, também pode alterar logística, mobilidade de trabalhadores, cadeias de fornecimento e capacidade operacional.

Resiliência passa a incluir o território

Essa visão mais ampla aparece entre os principais pontos levantados pela pesquisa.

A análise apresentada pela Exame destaca que a avaliação de riscos associados aos territórios começa a ser considerada também sob uma perspectiva econômica. Condições locais podem influenciar continuidade operacional, seguros, financiamento e relacionamento entre empresas e comunidades.

Isso amplia o conceito de resiliência empresarial.

Tradicionalmente, planos de continuidade de negócios concentram-se em instalações, equipamentos, processos internos e sistemas críticos. Diante dos riscos climáticos, porém, a análise pode precisar incorporar também a infraestrutura e as condições sociais e ambientais das áreas ao redor das operações.

Para empresas com ativos de longa duração, como ocorre na mineração, essa avaliação ganha importância adicional porque mudanças nas condições climáticas podem ocorrer durante décadas de operação.

Pesquisa identifica prioridades de adaptação

O levantamento também perguntou aos participantes quais iniciativas deveriam receber maior atenção na agenda climática do setor.

O reflorestamento foi citado por 49,2% dos entrevistados como principal prioridade, seguido de ações como obras de contenção, educação climática e fortalecimento das estruturas municipais de Defesa Civil.

As respostas mostram que adaptação climática pode assumir formatos diferentes.

Em algumas localidades, a prioridade pode estar relacionada à infraestrutura. Em outras, pode envolver disponibilidade de água, restauração ambiental, sistemas de alerta, preparação para emergências ou capacitação das comunidades.

Por esse motivo, estratégias de adaptação tendem a depender das características específicas de cada território.

Relacionamento e comunicação entram na análise

Outra dimensão avaliada pela pesquisa foi a relação entre organizações e os territórios onde operam.

Entre os respondentes, 34,4% avaliaram como boa a comunicação do setor sobre seus impactos socioambientais. Para 45,9%, esses impactos são representados apenas ocasionalmente.

Sobre o relacionamento com as comunidades, 72,2% dos participantes perceberam uma atuação predominantemente pontual, enquanto 16,7% identificaram um relacionamento constante.

Mais uma vez, os dados devem ser interpretados como percepção da amostra pesq

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