C&A leva circularidade à Avenida Paulista

Varejista publica seu primeiro relatório financeiro de sustentabilidade nos padrões IFRS S1 e S2 e transforma sua nova loja conceito em São Paulo em vitrine para circularidade, eficiência operacional e rastreabilidade.

A C&A mensurou em R$ 45,7 milhões o impacto positivo no lucro líquido de 2025 de duas oportunidades relacionadas à sustentabilidade, segundo seu primeiro Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade. O documento foi elaborado voluntariamente nos padrões IFRS S1 e IFRS S2 e amplia a conexão entre indicadores ambientais, gestão de riscos e desempenho financeiro da companhia.

Do montante identificado, R$ 41,7 milhões estão associados a projetos de reformas e expansão com menor impacto, enquanto outros R$ 4 milhões decorrem de otimização operacional, incluindo iniciativas ligadas à integração omnicanal e ao redesenho da malha logística.

O movimento ocorre em um momento simbólico para a empresa. Em agosto, quando completou 50 anos de presença no Brasil, a varejista inaugurou sua primeira loja na Avenida Paulista, em São Paulo. Com mais de 2 mil metros quadrados, a unidade materializa parte da estratégia de integrar sustentabilidade, tecnologia e experiência de consumo.

Sustentabilidade entra na demonstração financeira

A publicação ganha relevância porque ocorre após a mudança promovida pela CVM em 2026, que retirou a obrigatoriedade geral de adoção do reporte baseado nos padrões IFRS S1 e S2 pelas companhias abertas.

Mesmo diante do caráter facultativo, a C&A decidiu seguir com a divulgação. A companhia já havia anunciado, em dezembro de 2025, sua intenção de adotar antecipadamente o relatório referente àquele exercício.

O documento coloca riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade em uma linguagem mais próxima da utilizada na gestão financeira. A C&A passa a relacionar temas climáticos a fatores como investimentos, expansão, eficiência operacional e capacidade de geração de resultados.

A principal contribuição financeira mensurada aparece justamente no processo de reformas e expansão das lojas. Decisões sobre sistemas prediais, climatização, matriz energética, reaproveitamento de ativos e uso de recursos passam a incorporar critérios de eficiência, fazendo com que sustentabilidade deixe de ser tratada apenas como indicador reputacional.

Avenida Paulista vira vitrine para a circularidade

Essa estratégia também ganhou uma dimensão visível ao consumidor.

Inaugurada em 27 de agosto, a nova unidade da Avenida Paulista segue o chamado conceito Energia e integra ambientes físicos e digitais. A loja foi aberta na mesma semana em que a C&A celebrou cinco décadas de operação no Brasil — trajetória que começou justamente em São Paulo, em 1976.

Na abertura, a varejista apresentou uma coleção circular desenvolvida em parceria com o designer Gustavo Silvestre e produzida a partir de jeans reciclado. A ação conecta-se ao Movimento ReCiclo, programa de logística reversa criado pela companhia para receber peças usadas e encaminhá-las para reutilização ou reciclagem.

Segundo o Relatório Integrado Anual de 2025 da empresa, o programa já havia coletado aproximadamente 460 mil peças desde 2017 e estava presente em mais de 70% das unidades da companhia no Brasil.

A nova loja também incorpora energia proveniente de fontes renováveis, materiais reaproveitados e soluções voltadas à redução de impacto ambiental. No jeans, a empresa utiliza ainda recursos de rastreabilidade para permitir maior acompanhamento da origem e das etapas produtivas.

Da agenda ESG à geração de valor

O caso da C&A ajuda a ilustrar uma mudança importante na agenda corporativa: a sustentabilidade começa a ser traduzida em métricas financeiras que podem ser incorporadas às decisões de investimento e gestão.

O desafio, entretanto, vai além de identificar iniciativas sustentáveis. Para que impactos dessa natureza sejam úteis para investidores e administradores, torna-se necessário estabelecer metodologias consistentes, controles, premissas documentadas e processos capazes de dar confiabilidade aos dados divulgados.

Essa discussão ganha ainda mais relevância quando considerada a dimensão da cadeia de valor. De acordo com informações apresentadas pela companhia à Exame, a C&A se relaciona com 946 fornecedores diretos e outros 816 fornecedores além do primeiro nível, envolvendo etapas como fiação, tecelagem, tingimento e acabamento.

Em setores com cadeias extensas como o varejo e a moda, decisões ambientais e climáticas podem, portanto, repercutir não apenas dentro das operações próprias, mas também sobre fornecedores, logística, materiais, estoques e investimentos futuros.

A experiência da varejista mostra como a agenda ESG pode avançar de compromissos institucionais para uma discussão cada vez mais ligada a mensuração, gestão de riscos, eficiência operacional e criação de valor.

Fontes pesquisadas

Exame — 31/08/2026
“C&A soma R$ 45,7 milhões ao lucro com ESG e leva moda circular à Avenida Paulista”, por Sofia Schuck. Principal referência jornalística desta pauta.
Acessar a matéria da Exame

C&A — Relatório Integrado Anual 2025
Documento oficial com indicadores ESG, informações sobre o Movimento ReCiclo, metas climáticas e adoção antecipada do reporte IFRS S1 e S2.
Acessar a área oficial de relatórios de sustentabilidade da C&A

C&A — Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade 2025
Primeiro relatório da companhia elaborado com base nos Pronunciamentos CBPS 01 e 02, equivalentes aos padrões IFRS S1 e IFRS S2.

C&A — 28/08/2026
Conteúdo institucional sobre a inauguração da primeira loja da empresa na Avenida Paulista e as comemorações dos 50 anos de atuação no Brasil.
Acessar publicação oficial da C&A sobre a loja da Avenida Paulista

C&A Modas — Comunicado ao Mercado, 23/12/2025
Anúncio oficial da decisão de adotar antecipadamente e de forma voluntária o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.

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