Em 2025, 247 executivos de 20 estados responderam à pesquisa pioneira da Baker Tilly Brasil. Em 2026, com o primeiro exercício obrigatório do IFRS S1 e S2 se aproximando, a segunda edição chega para medir quanto o cenário mudou.
Quando lançamos a pesquisa “ESG no Middle Market: Barreiras, Incentivos e Perspectivas” em 2025, a hipótese que queríamos testar era simples: o que as médias empresas brasileiras realmente pensam e fazem em relação ao ESG, sem o filtro de pesquisas globais ou recortes de amostras mais amplas que diluem as especificidades desse segmento? A adesão foi expressiva. Ao todo, 247 executivos de empresas sediadas em 20 unidades da federação responderam, representando mais de 25 setores econômicos e as cinco regiões do país. Cerca de 78% dos participantes ocupavam cargos de governança e alta administração — uma amostra que fala com quem decide.
Em 2026, abrimos a segunda edição. E o momento não poderia ser mais oportuno.
O ponto de inflexão regulatório chegou
A data de 31 de dezembro de 2026 marca o primeiro exercício de referência obrigatório para a publicação dos Informes de Sustentabilidade por companhias abertas brasileiras, nos termos das Resoluções CVM 217 e 218, que tornaram obrigatórios os pronunciamentos CBPS 01 e 02 – equivalentes nacionais das normas IFRS S1 e S2 do ISSB. Para essas empresas, a corrida já começou.
Mas o impacto vai muito além das companhias com ações em bolsa. O fenômeno que a pesquisa de 2025 já começava a evidenciar é o efeito cascata na cadeia de valor: grandes empresas obrigadas à divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade precisarão de dados de seus fornecedores, prestadores de serviços e parceiros comerciais para construir seus reportes, especialmente as divulgações de Escopo 3 que abrangem as emissões da cadeia de fornecedores. Uma média empresa que hoje responde “não nos aplicamos às normas S1 e S2” pode estar subestimando o problema. A norma não chega pela CVM. Chega pela ligação do cliente.
“Não basta mais a empresa cuidar da sua própria casa: ela precisa olhar para toda a vizinhança. O ESG na cadeia de valor já está se tornando cláusula contratual em muitos segmentos e tende a ser uma barreira de entrada para médias empresas. Ignorar isso pode custar caro”, afirma Gabriel Buzzi, Sócio de ESG e Sustentabilidade da Baker Tilly Brasil.
O dado de 2025 que queremos rever em 2026
Entre os resultados que mais foram comentados na edição anterior, um merece destaque especial: 66% das médias empresas participantes declararam já ter sido impactadas financeiramente por eventos climáticos extremos como enchentes, secas e deslizamentos. Desse grupo, 34% relataram impactos diretos e significativos. Não estamos falando de risco futuro ou hipotético. Estamos falando de caixa afetado, operações interrompidas e contratos comprometidos agora.
Esse número vai ao coração do argumento que sustenta as normas IFRS S1 e S2: riscos climáticos são riscos de impacto financeiro, e precisam ser mensurados, divulgados e geridos como tal. A questão que a segunda edição da pesquisa visa responder é se esse percentual cresceu, estabilizou ou recuou.
Saiba mais sobre a pesquisa “ESG no Middle Market” de 2025.
O efeito COP 30 e o que 2026 vai revelar
A série histórica do Panorama ESG Brasil, publicada pela AmCham em parceria com a Humanizadas, oferece uma leitura relevante para contextualizar este momento. Praticamente todos os indicadores registraram seu maior valor histórico em 2025 (ano em que o Brasil sediou a COP 30) e recuaram em 2026. A leitura apressada é de retrocesso. A leitura correta é de recalibração: o que antes era autodeclaração ampla cedeu espaço a um padrão de referência mais exigente. Regulações oriundas de frameworks internacionais como as IFRS S1/S2 e o CSRD, tornaram o que era diferencial em requisito, e empresas que se declaravam pioneiras começam a entender o tamanho real do trabalho que esse status exige.
No middle market, espera-se o mesmo movimento, mas com uma camada adicional de complexidade: são empresas que, em sua maioria, não foram diretamente alcançadas pelo entusiasmo da COP 30 e que constroem sua agenda ESG em um contexto de recursos mais limitados e prioridades mais imediatas. A segunda edição da pesquisa é a primeira oportunidade de medir isso com evidência.
“As IFRS S1 e S2 mudam definitivamente o lugar do ESG dentro das empresas. Sustentabilidade deixa de ser discurso paralelo e passa a entrar nas demonstrações financeiras, nos controles e no processo decisório. Quem se antecipar terá vantagem competitiva”, afirma Renato Ruiz, Sócio de ESG e Sustentabilidade da Baker Tilly Brasil.
Por que esta pesquisa importa
A “ESG no Middle Market” é a única pesquisa de abrangência nacional dedicada exclusivamente ao segmento de médias empresas brasileiras nesse tema. Não é um recorte de uma pesquisa global, nem um subgrupo de um levantamento voltado ao mercado corporativo em geral. As perguntas, a metodologia e a análise foram pensadas para a realidade de empresas com faturamento entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões, com suas limitações de recursos, suas pressões específicas de cadeia de valor e seu papel único na economia nacional.
Com presença confirmada em 20 estados e mais de 25 setores na edição de 2025, a pesquisa consolidou seu caráter nacional. Em 2026, o objetivo é ampliar ainda mais esse alcance.
Clique aqui e participe da pesquisa ESG no Middle Market.
A segunda edição está aberta para respostas. São apenas 3 minutos e a participação é totalmente anônima. Quem desejar receber os resultados antecipadamente, antes da publicação oficial prevista para julho de 2026, pode deixar o e-mail ao final do formulário.
