Contabilidade de carbono: a convergência entre dois dos principais referenciais internacionais pode ampliar a comparabilidade das informações e elevar as expectativas sobre qualidade e governança dos dados de emissões.
A contabilidade corporativa de carbono caminha para uma importante etapa de harmonização internacional.
O Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) anunciou que trabalhará com a International Organization for Standardization (ISO) na combinação de seus padrões corporativos de contabilização de emissões em um único padrão global harmonizado.
O movimento busca responder à crescente demanda por metodologias confiáveis e interoperáveis para mensuração e reporte de gases de efeito estufa.
Para as empresas, a iniciativa merece atenção porque pode influenciar a forma como inventários corporativos são estruturados, documentados e utilizados na tomada de decisão.
Por que a harmonização é relevante?
Empresas que mensuram emissões de gases de efeito estufa convivem atualmente com diferentes padrões, metodologias e requisitos.
Embora referenciais como o GHG Protocol sejam amplamente utilizados, diferenças metodológicas podem aumentar a complexidade e dificultar a comparação entre organizações, mercados e jurisdições.
A harmonização anunciada busca reduzir essas diferenças e criar maior consistência na contabilidade corporativa de carbono.
Para organizações com operações internacionais ou cadeias globais de valor, essa convergência pode ser particularmente relevante.
Mais comparabilidade também significa maior expectativa sobre os dados
A padronização metodológica não elimina o principal desafio operacional das organizações: obter informações confiáveis.
Inventários de emissões dependem de dados provenientes de diferentes operações, unidades, fornecedores e sistemas.
Por isso, à medida que os padrões evoluem, empresas precisam observar questões como:
- definição de limites organizacionais e operacionais;
- identificação das fontes de emissão;
- critérios e fatores utilizados nos cálculos;
- qualidade e rastreabilidade dos dados;
- documentação das premissas;
- consistência entre períodos;
- processos de revisão e verificação.
A convergência dos padrões tende a tornar diferenças e inconsistências mais perceptíveis, aumentando a importância da governança sobre essas informações.
Escopo 2 também está em evolução
Além do anúncio relacionado à harmonização com a ISO, o GHG Protocol informou avanços na revisão de seu padrão de Escopo 2.
Essa categoria abrange emissões indiretas associadas à energia adquirida pela organização e constitui uma parte importante dos inventários corporativos.
As discussões demonstram que o ambiente metodológico de contabilização de emissões permanece em evolução.
Empresas que utilizam esses referenciais devem, portanto, acompanhar as mudanças e avaliar periodicamente seus processos e metodologias.
O impacto vai além do relatório ESG
Dados de emissões são cada vez mais utilizados em diferentes decisões empresariais.
Eles podem alimentar metas de descarbonização, estratégias de investimento, avaliações de fornecedores, decisões sobre energia, gestão de riscos e informações disponibilizadas ao mercado.
No Brasil, esse movimento internacional ocorre paralelamente à evolução do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, aumentando a relevância estratégica de estruturas confiáveis de mensuração e governança das emissões.
Por isso, a preparação para novos padrões não deveria começar apenas quando a versão definitiva entrar em vigor.
Avaliar a qualidade dos dados e a maturidade dos processos atuais pode permitir uma transição mais estruturada.
Como a Baker Tilly pode apoiar
A Baker Tilly apoia organizações na estruturação e evolução de práticas relacionadas à mensuração, governança, reporte e gestão de informações ESG.
O fortalecimento desses processos contribui para que dados ambientais possam atender tanto às novas demandas de reporte quanto às necessidades de gestão e tomada de decisão.
Converse com nossos especialistas para avaliar a maturidade dos processos de mensuração e reporte de emissões da sua organização.
