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Pesquisa · Edição 2026 · Série comparativa 2025–2026

ESG no Middle Market

Barreiras, Incentivos e Perspectivas

Em doze meses, o middle market brasileiro mais que dobrou sua tranquilidade diante da agenda ESG. A pergunta que esta pesquisa faz é direta: essa tranquilidade tem lastro?

315
respostas válidas
562
na série 2025–2026
22
unidades da federação
±5,5 p.p.
margem, 95% de confiança

A tese desta edição

A agenda se dividiu: recuou para fora, avançou para dentro.

A resposta à pergunta do lastro tem uma parte de lastro e uma parte de esquecimento, e separar as duas é o trabalho desta edição. Enquanto a pressão externa recuava em todas as frentes, a gestão interna avançou em todas. O middle market seguiu com o ESG que decidiu fazer para si e reduziu o ESG que fazia para públicos externos. A agenda avançou onde encontrou retorno mensurável e desacelerou onde dependia exclusivamente de estímulo externo.

A norma revogada em 2026 alcança as companhias abertas, e o middle market, por definição, não é companhia aberta. As normas que efetivamente o alcançam, as que obrigam as instituições financeiras a conhecer o risco das carteiras que financiam essas empresas, seguem vigentes sem alterações. A tranquilidade, portanto, não decorre de estar preparado. Decorre de acreditar que não será necessário estar.

Os primeiros dados

Seis números que abrem a conversa.

O que a série histórica passou a permitir enxergar, e um retrato isolado não mostra.

39%
em 2025 eram 18%
não esperam cobrança ESG no crédito. A maior variação da pesquisa, num perímetro bancário que não se moveu.
37%
em 2025 eram 21%
têm política formal de sustentabilidade. O avanço mais expressivo, e veio sem cobrança externa.
9%
mesmo patamar de 2025
possuem política ESG estruturada. A pressão percebida oscilou; a preparação, não.
13%
em 2025 eram 14%
conseguem comprovar economia direta com práticas ESG. O indicador que não se moveu, e explica todos os outros.
48%
em 2025 eram 66%
já sofreram impacto financeiro de evento climático. O relato caiu 18 pontos, e a demonstração é aritmética.
63%
em 2025 eram 49%
apontam incentivos fiscais como o que mais aceleraria a adoção. Quando a cobrança recuou, a demanda por estímulo mudou de endereço.

A série 2025–2026

O que avançou por dentro, o que recuou por fora.

2025 2026

Base: 247 respondentes (2025) e 315 (2026). Variações de até 6 pontos percentuais são tratadas como estabilidade. Percentuais de múltipla escolha não somam 100%.

Os achados

Quatro leituras que os números sustentam.

Crédito

A cobrança firme não mudou. O que se dissipou foi a cobrança difusa.

Onde a exigência era formal, nada se moveu: restrição direta de crédito estável (19% para 15%), expectativa de dificuldade futura parada em 24%. Toda a variação se concentrou nas categorias difusas. O que se alterou foi a leitura de sinais ambíguos, não a realidade das exigências.

Normas e carbono

O único grupo que encolheu foi o que aguardava a obrigação.

Os que pretendiam adotar as normas dentro do prazo legal caíram de 36% para 23%, e os que não veem necessidade subiram de 20% para 28%. Não houve migração para a ação. Houve deslocamento do centro para a recusa. Quem decidiu por razões próprias não reverteu.

Clima · a demonstração aritmética

O que caiu 18 pontos não foi o risco climático. Foi a lembrança dele.

A leitura imediata concluiria que o risco climático diminuiu. Esta pesquisa não a adota, porque os próprios dados não a sustentam.

18 p.p.
de queda no relato de impacto climático (66% para 48%)
113 p.p.
de diferencial entre setores que a recomposição da amostra exigiria para explicar sozinha a queda
100 p.p.
é o diferencial máximo matematicamente possível. A exigência é impossível de satisfazer.
Catalisadores

O middle market pede menos obrigação e mais incentivo.

Os dois vetores de mercado recuaram: redução de custos (47% para 35%) e acesso a crédito (44% para 32%). Os dois ligados a decisão própria avançaram: incentivos fiscais (49% para 63%) e percepção de valor (25% para 36%).

Talentos

O eixo social é o único que não se moveu.

Enquanto pressão de investidor, crédito, cadeia e carbono oscilavam, o vínculo entre ESG e retenção de talentos permaneceu imóvel. A fonte da cobrança é o mercado de trabalho, e o mercado de trabalho não se altera por ato normativo.

Na voz de quem conduz a pesquisa

O que os especialistas leem nos números.

O clímax da leitura

Três middle markets, e a consolidação silenciosa.

Referir-se à maturidade ESG do middle market no singular deixou de fazer sentido em 2026. A série separou três populações que, até o ano anterior, apareciam somadas no mesmo indicador. As faixas indicam ordem de grandeza, não fronteiras.

20–28%

O núcleo convicto

Avançou. Manteve inventário completo, progrediu na adoção das normas e estruturou política formal.

O que o movia: decisão própria e retorno econômico. Chega ao próximo ciclo com histórico e comprovação.
~20%

A margem que se retraiu

Estava em estágio inicial de carbono e aguardava prazo legal. Recuou nos dois indicadores.

Exposição elevada e pouco visível. Interrompeu a série sem perceber; o custo aparece quando pedirem o comparativo.
13–28%

A periferia ausente

Não se moveu, ou endureceu. Não vê necessidade de inventário nem de adoção das normas.

Depende do setor e do cliente. Se a cadeia apertar, inicia do zero e sob prazo.

O grupo mais exposto não é o que nunca começou. É o que começou e interrompeu.

A pergunta que fica para a sua empresa

Se um comprador solicitar hoje o seu inventário de emissões de 2024, 2025 e 2026, você dispõe dos três anos?

Se falta um ano, o comparativo não existe, e reconstruí-lo custa mais do que teria custado mantê-lo.

A pesquisa completa

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O documento completo traz as 20 tabelas comparativas, as oito perguntas diagnósticas, a tipologia dos três perfis e a nota metodológica na íntegra.

  • 50 páginas, série histórica 2025–2026
  • Análise por bloco: crédito, cadeia, normas, clima e catalisadores
  • Nota metodológica transparente

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Gabriel Buzzi
Gabriel Buzzi
Sócio de Risco e Sustentabilidade · Rio de Janeiro, RJ
Especialista em finanças corporativas, gestão de riscos e sustentabilidade, com mais de 15 anos de experiência em auditoria, controladoria, privacidade e responsabilidade socioambiental.
gabriel.buzzi@bakertilly.com.br
Renato Ruiz
Renato Ruiz
Sócio de Auditoria e Sustentabilidade · São Paulo, SP
Com 20 anos de experiência em auditoria, é pós-graduando em ESG e Sustentabilidade Empresarial e atua como membro de comissões técnicas no IBRACON e na FIESP.
renato.ruiz@bakertilly.com.br